LUCAS HIT E O CLUBE DA VIP
Por Adilson Silva Oliveira
Fotos: Alex Rocha
Eu começo a entrevista com uma pergunta que coloca o
entrevistado numa situação não muito confortável, pois, cada vez mais, é
difícil construir em poucas palavras uma auto definição. Não sabemos quem somos
ou não sabemos como dizer quem somos em poucas palavras. Somos múltiplos e
fragmentados em um mundo igualmente múltiplo e fragmentado. Lucas Hit, na
primeira resposta à pergunta da entrevista, é económico ao construir um retrato
de si mesmo. Quem é, afinal de contas, Lucas Hit? Além de várias outras atividades, ele é o criador do
"Clube da VIP, espaço virtual destinado aos fãs da revista VIP. O Clube
começou como um blog e depois, em um movimento inevitável, migrou para as redes
sociais, tornando-se um sucesso entre os colecionadores e fãs de resistas. A VIP
foi uma publicação de glande expressão no mercado editorial brasileiro e durou
de 1981 a 2018. No Clube da VIP, além de fãs dessa resista, há também fãs de
outras publicações masculinas como, por exemplo, Playboy, Sexy e Status.
Lucas Hit é muito popular nas redes sociais e alimenta o
Clube da VIP com postagens que relembram os tempos áureos das publicações de
resistas e com lives - quase diárias - que resgatam a história das musas que
posaram para as resistas, destacando os bastidores dos ensaios.
O nosso entrevistado, com habilidade, carisma e com uma
linguagem direta, conduz as lives com muita competência, deixando os convidados
à vontade. Dessa forma, ele consegue,
muitas vezes, informaçòes exclusivas e surpreendentes dos entrevistados. Nessas
lives transmitidas pelo Instagram Clube da VIP e publicadas no canal de mesmo
nome no YouTube, ele já entrevistou fotógrafos, produtores, diretores,
maquiadores e, principalmente, estrelas dos ensaios. A intenção é de trazer ao
público a visão de quem estava diretamente envolvido nos ensaios fotográficos.
Nas duas temporadas de lives do Clube da VIP, o nosso
entrevistado recebeu diversas estrelas das principais resistas masculinas
brasileiras como, por exemplo, Adriane Galisteu, Tânia Aves, Cláudia Alencar,
Scheila Carvalho e Luciana Vendramini. As lives, sobretudo as mais polêmicas,
repercutem muito na mídia.
Quem é o Lucas Hit? Como você se auto definiria?
A gente já começa a entrevista assim? (risos) Olha, posso me
definir como um curioso, sempre otimista, amante de si ver, observador de
pessoas, dependente do mar, autossuficiente, bemmmmm aquariano.
Você é o criador do Clube da VIP, página de fãs em homenagem
à revista VIP. Quando você começou a ter interesse por essa revista?
Eu sempre fui um rato de biblioteca e a leitura sempre foi
presente na minha sida. Em 1999, eu tinha 14 anos e vi a edição da VIP com a
Scheila Caivalho, adorei tudo: primeiro por ser mais um consumidor e apaixonado
pela era do Axé e pelas dançarinas; depois, pelo editorial chique e despojado da
resista. Ali eu me apaixonei. A primeira VIP que eu comprei na banca foi
naquele mesmo ano, em outubro, a edição com Adriane Galisteu na capa, custou
R$5,00 e eu fiquei uma semana sem lanchar no recreio da escola por conta desse
“investimento”. Desde então, sou colecionador e leitor. Tenho a coleção
completa desde quando a resista deixou de ser suplemento da Exame em 1994.
Além da VIP, você, durante muito tempo, consumiu revistas
como Playboy, Sexy, entre outras. o que o encanta nessa revistas?
Eu posso garantir que as resistas foram essenciais na minha
educação como homem. Pode parecer exagerado, mas é a minha verdade. Cresci em
uma casa extremamente tradicional, não se conversava sobre sexo, nem ao menos
sobre as descobertas da adolescência, e eu si nas resistas um refúgio, uma
companhia. Foi através dessas resistas que aprendi e descobri muitas coisas.
Mesmo muito jovem, naquela época, já identificas'a um texto extremamente
machista e homofóbicodetodasaspublicaçòes.maseuconseguiasepararoqueeraensinainentodoqueeradesnecessáriopraminhavida.
Em resumo, as resistas me formaram.
As revistas impressas têm, gradativamente, desaparecido das
bancas. As próprias bancas de revistas têm desaparecido. Você é saudosista? 0
que o encanta nas publicações impressas?
Sou mesmo extremamente saudosista. Nada substitui o cheiro
de uma revista nova, recém tirada do plástico da fábrica, o ritual de ver a
revista inteira primeiro, só as fotos, depois ir mais minuciosamente lendo,
descobrindo, depois vendo de novo. Um bom admirador das revistas sabia bem
aproveitar sua edição durante o mês inteiro.
A revista VIP começou em 1981 como suplemento da revista
Exame e foi editada, ininterruptamente, até 2018. Nesses 37 anos de história,
quais são, na sua opinião, as 5 melhores capas? Por quê?
Meu Top 5 é clássico. Vai pela história, pelas polêmicas e
pelo momento vivido. As minhas 5 melhores capas são:
1 - Adriane
Galisteu/julho 2006 - Indiscutível, Adriane consegue se entregar e se superar
como poucas musas, e não estou falando por ser fã dela, está registrada essa
capa como a preferida da maioria na história da VIP.
2 - Scheila
Carvalho/outubro 2000 - Scheila é uma unanimidade, e a história dela na VIP foi
linda. Considero essa uma das melhores capas, pois vivi cada segundo daquele
mês consumindo aquela edição. Foi importante pra mim e acho sim que esse foi o
melhor ensaio dela na VIP.
3 -
Danielle Winits/agosto 2000 - E uma capa de cores hipnotizantes, aquela fita, a
Danielle... tudo perfeito.
4 - Ellen Rocche/ abril2002 - Outra musa que fez história na
VIP, mas essa foto de capa, instigante, de cor, é sim perfeita, e é impossível
eu não colocá-la no meu Top 5.
5 - Luma de Oliveira/janeiro 2000 - Essa capa é marcante
pela história (Luma deixou de fazer a Playboy do milénio e se entregou à VIP),
pela Luma e por ser a edição mais vendida da história da VIP. Luma é
inquestionável.
Recentemente, você anunciou a venda de sua coleção de
revistas? Como você lida com o desapego?
Foi mais uma necessidade do que desapego. O Sebo do Hit
nasceu pelo fato de eu ter ficado desempregado e sem renda nenhuma. As revistas
sempre fizeram parte da minha vida, sempre foi um prazer manuseá-las e sei da
importância que muitos colecionadores e admiradores de revistas dão a esses
exemplares. Encontrei aí a forma de me sustentar fazendo algo completamente
prazeroso.
A revista Playboy, da qual você é também um fã confesso,
desnudou grandes estrelas brasileiras? Como você gosta de ranking, quem estaria
no seu top 5? Das musas que não posaram quais mereceriam uma capa?
Na Playboy, as minhas 5 maiores musas são: Adriane Galisteu,
Scheila Carvalho, Sheila Mello, Joana Prado e Carla Perez. Desculpa, eu sou
cria dos anos 2000 (risos).
Já entre as musas que não posaram, eu queria na Playboy:
Luciana Gimenez, Ivete Sangalo, Sandy, Gloria Maria e Nívea Stelmann.
O Clube da VIP, em 2020, apresentou lives com musas que
foram capas das principais revistas masculinas do Brasil. Quais foram as
entrevistas que mais o surpreenderam?
Na 1ª Temporada, em 2020, fiz 67 entrevistas. As que mais me
surpreenderam foram: Kelly Cristina pela riqueza de detalhes e imagens que ela
compartilhou; Maryeva Oliveira por ter aberto o coração, além de falar
abertamente das revistas em que posou; Ariadna foi surpreendente também, pois
ninguém esperava o depoimento negativo dela sobre seu ensaio para a Playboy;
não tem como não citar a Galisteu e suas histórias inéditas, quem viu nunca
mais vai se esquecer da história do burro/muro (risos); e cito também a live
com a Vivi Brunieri que repercutiu em praticamente todos os sites do Brasil,
tornando-se a live mais assistida com quase 300 mil visualizações.
Nessas lives, você se surpreendeu com alguma declaração de
alguma entrevistada? Compartilhe com a revista Miradas Brasil alguma história
curiosa.
A Scheila Carvalho contou uma história de Piúma, que é a
cidade em que eu moro no Espírito Santo, eu fiquei chocado. A Kelly Cristina
contou que, quando posou para a Playboy, ela tinha 17 anos, contrariando a
informação da revista que falou que ela tinha 19; Kelly mostrou a identidade
para provar. E a sinceridade da Fani Pacheco me deixou surpreso também, foi
incrível. Eu acredito que quase todas as entrevistas tiveram declarações que me
surpreenderam.
Recentemente, você começou a segunda temporada de lives do
Clube da VIP. Quais são as novidades para o futuro?
Minha ideia é fazer umas 50 entrevistas nessa 2ª Temporada e,
até o final desse ano de 2021, já fazer a 3ª Temporada também. Acredito que o
que estamos criando no Clube da VIP é um documento que ficará para posteridade.
Estamos resgatando a história das revistas no Brasil, estamos dando voz às
grandes musas. Eu sou e estou muito orgulhoso desse trabalho e tenho a certeza
de que o melhor ainda está por vir.