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30/07/2024

Revista Miradas (Março 2021)

 


LUCAS HIT E O CLUBE DA VIP

Por Adilson Silva Oliveira
Fotos: Alex Rocha

Eu começo a entrevista com uma pergunta que coloca o entrevistado numa situação não muito confortável, pois, cada vez mais, é difícil construir em poucas palavras uma auto definição. Não sabemos quem somos ou não sabemos como dizer quem somos em poucas palavras. Somos múltiplos e fragmentados em um mundo igualmente múltiplo e fragmentado. Lucas Hit, na primeira resposta à pergunta da entrevista, é económico ao construir um retrato de si mesmo. Quem é, afinal de contas, Lucas Hit? Além de várias outras atividades, ele é o criador do "Clube da VIP, espaço virtual destinado aos fãs da revista VIP. O Clube começou como um blog e depois, em um movimento inevitável, migrou para as redes sociais, tornando-se um sucesso entre os colecionadores e fãs de resistas. A VIP foi uma publicação de glande expressão no mercado editorial brasileiro e durou de 1981 a 2018. No Clube da VIP, além de fãs dessa resista, há também fãs de outras publicações masculinas como, por exemplo, Playboy, Sexy e Status.

Lucas Hit é muito popular nas redes sociais e alimenta o Clube da VIP com postagens que relembram os tempos áureos das publicações de resistas e com lives - quase diárias - que resgatam a história das musas que posaram para as resistas, destacando os bastidores dos ensaios.

O nosso entrevistado, com habilidade, carisma e com uma linguagem direta, conduz as lives com muita competência, deixando os convidados à vontade. Dessa forma, ele consegue, muitas vezes, informaçòes exclusivas e surpreendentes dos entrevistados. Nessas lives transmitidas pelo Instagram Clube da VIP e publicadas no canal de mesmo nome no YouTube, ele já entrevistou fotógrafos, produtores, diretores, maquiadores e, principalmente, estrelas dos ensaios. A intenção é de trazer ao público a visão de quem estava diretamente envolvido nos ensaios fotográficos.

Nas duas temporadas de lives do Clube da VIP, o nosso entrevistado recebeu diversas estrelas das principais resistas masculinas brasileiras como, por exemplo, Adriane Galisteu, Tânia Aves, Cláudia Alencar, Scheila Carvalho e Luciana Vendramini. As lives, sobretudo as mais polêmicas, repercutem muito na mídia.

Quem é o Lucas Hit? Como você se auto definiria?
A gente já começa a entrevista assim? (risos) Olha, posso me definir como um curioso, sempre otimista, amante de si ver, observador de pessoas, dependente do mar, autossuficiente, bemmmmm aquariano.

Você é o criador do Clube da VIP, página de fãs em homenagem à revista VIP. Quando você começou a ter interesse por essa revista?
Eu sempre fui um rato de biblioteca e a leitura sempre foi presente na minha sida. Em 1999, eu tinha 14 anos e vi a edição da VIP com a Scheila Caivalho, adorei tudo: primeiro por ser mais um consumidor e apaixonado pela era do Axé e pelas dançarinas; depois, pelo editorial chique e despojado da resista. Ali eu me apaixonei. A primeira VIP que eu comprei na banca foi naquele mesmo ano, em outubro, a edição com Adriane Galisteu na capa, custou R$5,00 e eu fiquei uma semana sem lanchar no recreio da escola por conta desse “investimento”. Desde então, sou colecionador e leitor. Tenho a coleção completa desde quando a resista deixou de ser suplemento da Exame em 1994.

Além da VIP, você, durante muito tempo, consumiu revistas como Playboy, Sexy, entre outras. o que o encanta nessa revistas?
Eu posso garantir que as resistas foram essenciais na minha educação como homem. Pode parecer exagerado, mas é a minha verdade. Cresci em uma casa extremamente tradicional, não se conversava sobre sexo, nem ao menos sobre as descobertas da adolescência, e eu si nas resistas um refúgio, uma companhia. Foi através dessas resistas que aprendi e descobri muitas coisas. Mesmo muito jovem, naquela época, já identificas'a um texto extremamente machista e homofóbicodetodasaspublicaçòes.maseuconseguiasepararoqueeraensinainentodoqueeradesnecessáriopraminhavida. Em resumo, as resistas me formaram.

As revistas impressas têm, gradativamente, desaparecido das bancas. As próprias bancas de revistas têm desaparecido. Você é saudosista? 0 que o encanta nas publicações impressas?
Sou mesmo extremamente saudosista. Nada substitui o cheiro de uma revista nova, recém tirada do plástico da fábrica, o ritual de ver a revista inteira primeiro, só as fotos, depois ir mais minuciosamente lendo, descobrindo, depois vendo de novo. Um bom admirador das revistas sabia bem aproveitar sua edição durante o mês inteiro.

A revista VIP começou em 1981 como suplemento da revista Exame e foi editada, ininterruptamente, até 2018. Nesses 37 anos de história, quais são, na sua opinião, as 5 melhores capas? Por quê?
Meu Top 5 é clássico. Vai pela história, pelas polêmicas e pelo momento vivido. As minhas 5 melhores capas são:
1             - Adriane Galisteu/julho 2006 - Indiscutível, Adriane consegue se entregar e se superar como poucas musas, e não estou falando por ser fã dela, está registrada essa capa como a preferida da maioria na história da VIP.
2             - Scheila Carvalho/outubro 2000 - Scheila é uma unanimidade, e a história dela na VIP foi linda. Considero essa uma das melhores capas, pois vivi cada segundo daquele mês consumindo aquela edição. Foi importante pra mim e acho sim que esse foi o melhor ensaio dela na VIP.
3             - Danielle Winits/agosto 2000 - E uma capa de cores hipnotizantes, aquela fita, a Danielle... tudo perfeito.
4 - Ellen Rocche/ abril2002 - Outra musa que fez história na VIP, mas essa foto de capa, instigante, de cor, é sim perfeita, e é impossível eu não colocá-la no meu Top 5.
5 - Luma de Oliveira/janeiro 2000 - Essa capa é marcante pela história (Luma deixou de fazer a Playboy do milénio e se entregou à VIP), pela Luma e por ser a edição mais vendida da história da VIP. Luma é inquestionável.

Recentemente, você anunciou a venda de sua coleção de revistas? Como você lida com o desapego?
Foi mais uma necessidade do que desapego. O Sebo do Hit nasceu pelo fato de eu ter ficado desempregado e sem renda nenhuma. As revistas sempre fizeram parte da minha vida, sempre foi um prazer manuseá-las e sei da importância que muitos colecionadores e admiradores de revistas dão a esses exemplares. Encontrei aí a forma de me sustentar fazendo algo completamente prazeroso.

A revista Playboy, da qual você é também um fã confesso, desnudou grandes estrelas brasileiras? Como você gosta de ranking, quem estaria no seu top 5? Das musas que não posaram quais mereceriam uma capa?
Na Playboy, as minhas 5 maiores musas são: Adriane Galisteu, Scheila Carvalho, Sheila Mello, Joana Prado e Carla Perez. Desculpa, eu sou cria dos anos 2000 (risos).
Já entre as musas que não posaram, eu queria na Playboy: Luciana Gimenez, Ivete Sangalo, Sandy, Gloria Maria e Nívea Stelmann.

O Clube da VIP, em 2020, apresentou lives com musas que foram capas das principais revistas masculinas do Brasil. Quais foram as entrevistas que mais o surpreenderam?
Na 1ª Temporada, em 2020, fiz 67 entrevistas. As que mais me surpreenderam foram: Kelly Cristina pela riqueza de detalhes e imagens que ela compartilhou; Maryeva Oliveira por ter aberto o coração, além de falar abertamente das revistas em que posou; Ariadna foi surpreendente também, pois ninguém esperava o depoimento negativo dela sobre seu ensaio para a Playboy; não tem como não citar a Galisteu e suas histórias inéditas, quem viu nunca mais vai se esquecer da história do burro/muro (risos); e cito também a live com a Vivi Brunieri que repercutiu em praticamente todos os sites do Brasil, tornando-se a live mais assistida com quase 300 mil visualizações.

Nessas lives, você se surpreendeu com alguma declaração de alguma entrevistada? Compartilhe com a revista Miradas Brasil alguma história curiosa.
A Scheila Carvalho contou uma história de Piúma, que é a cidade em que eu moro no Espírito Santo, eu fiquei chocado. A Kelly Cristina contou que, quando posou para a Playboy, ela tinha 17 anos, contrariando a informação da revista que falou que ela tinha 19; Kelly mostrou a identidade para provar. E a sinceridade da Fani Pacheco me deixou surpreso também, foi incrível. Eu acredito que quase todas as entrevistas tiveram declarações que me surpreenderam.

Recentemente, você começou a segunda temporada de lives do Clube da VIP. Quais são as novidades para o futuro?
Minha ideia é fazer umas 50 entrevistas nessa 2ª Temporada e, até o final desse ano de 2021, já fazer a 3ª Temporada também. Acredito que o que estamos criando no Clube da VIP é um documento que ficará para posteridade. Estamos resgatando a história das revistas no Brasil, estamos dando voz às grandes musas. Eu sou e estou muito orgulhoso desse trabalho e tenho a certeza de que o melhor ainda está por vir.






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